Colonização alemã: cultura
mantém-se muito presente até hoje no Rio Grande do Sul
Nas cidades que foram berço das
primeiras colônias, ainda se encontram vestígios da época e pessoas que
cultivam a tradição germânica.
Foto:sxc.hu
A
colonização alemã começou no país quando o governo brasileiro, convencido de
que precisava ocupar as remotas regiões fronteiriças, enviou em 1822 à Europa o
major Georg Anton von Schäffer para recrutar interessados em emigrarem para o
Brasil. Os objetivos eram não deixar livres as fronteiras, que sofriam
constantes ameaças de serem tomadas por outros países, como a Argentina, e
reforçar o exército brasileiro.
Pra convencer os alemães a se mudarem, o governo oferecia passagem à custa do
governo, um lote de terra com 78 hectares, 160 réis para cada colono no
primeiro ano e meio de estada no país, além de bois, vacas, porcos e galinhas.
Em 18 de julho de 1824, chegou ao Rio Grande do Sul a primeira leva de 39
imigrantes alemães, que se instalaram, primeiramente, na região do Vale dos
Sinos. Alguns colonizadores, durante a Revolução Farroupilha, se deslocaram
para a região de Santa Maria para se afastar dos conflitos. Depois do fim da
revolução, os colonos se espalharam fundando entre várias colônias, a de Santa
Cruz do Sul. Passada a Segunda Guerra Mundial, a quantidade de imigrantes
procurando o Brasil diminuiu muito.
Os exilados da guerra: um segundo motivo da
vinda para o Brasil
Durante a 1º Guerra Mundial alguns alemães tiveram que fugir dos conflitos, se
refugiando em países como o Brasil. A crise na Europa era muito grande, a
econômia estava extremamente abalada e milhares de famílias ficaram na miséria.
Entre os refugiados estava o pastor Johannes Kunstmann, nascido em 1872 no
estado da Saxônia, na Alemanha.
De acordo com o neto de Kunstmann, o atual coordenador do Instituto Histórico
da Igreja Luterana, Paulo Udo Kunstmann, o avô chegou em Porto Alegre em 1915.
O pastor Kunstmann se formou em teologia em 1893, em St. Louis, nos Estados
Unidos, sendo enviado, na sequência, para Austrália para trabalhar como
professor e pastor. Após sete anos , ele retornou para a Alemanha, foi então
que estourou a primeira grande guerra mundial.
Kunstmann fugiu primeiramente para os Estados Unidos, onde havia concluído seus
estudos em teologia, mas logo depois foi chamado para ser diretor do Seminário
Concórdia, em Porto Alegre. O neto, Udo, conta que o avô era um homem muito
exigente e bastante sério, mas que acreditava piamente em sua vocação e
trabalhava pensando no bem da comunidade.
Udo conta que a cultura alemã sempre esteve presente em sua família. Seu pai
também foi pastor da igreja luterana e repassou seus valores para os filhos.
Hoje em dia, a filha de Udo mora na Alemanha e tem três filhas. “Ela foi para
um intercâmbio e se apaixonou pelo país. Me lembro de quando ela me disse que a
Alemanha era muito melhor do que eu contava para ela, e que lá ela iria ser
feliz”, recorda Udo.
Conheça de perto a cultura alemã visitando um
dos berços da colonização:
SANTA CRUZ DO SUL, que é conhecida por ser a sede da maior Oktoberfest do Rio
Grande do Sul, tem colonização unicamente alemã. A povoação iniciou em 1849, no
local então chamado de Faxinal de João Maria, com a instalação de cinco famílias
alemãs. A cidade foi oficialmente fundada em 31 de março de 1877, emancipada de
Rio Pardo.
Oktoberfest - A
cidade de Santa Cruz do Sul costuma atrair muitos visitante no mês de outubro,
por conta da Oktoberfest – festa popular germânica. O evento é uma forma de
conservação das tradições alemãs. Durante a festa jogos germânicos,
apresentações culturais, gastronomia alemã e shows de músicas populares fazem a
alegria de quem visita o parque da Oktoberfest.
Alguns PONTOS TURÍSTICOS que contam a história da imigração alemã em Santa
Cruz do Sul:
Museu do Colégio Mauá - O museu
foi fundado em 20 de setembro de 1966 e possui um acervo significativo sobre a
história e a memória da região de Santa Cruz do Sul. O seu acervo ultrapassa
150 mil peças, sendo que estão expostas temporariamente 5 mil peças.
Parque da Oktoberfest - Com
área de 14 hectares dotado de infra-estrutura esportiva, lazer e turismo como
ginásio poliesportivo com capacidade para 8 mil pessoas, campos para prática de
futebol onze e sete jogadores, canchas de basquete, tênis, futsal, bocha, pista
de bicicross e ainda pavilhões para esporte e exposições. Também é a onde
acontece a principal festa germânica da região, a Oktoberfest.
Santuário de Schoenstatt - Pertencente
ao Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, o Santuário da Mãe três
vezes admirável de Schoenstatt foi inaugurado em 11 de dezembro de 1977, sendo
uma cópia fiel do santuário original fundado na Alemanha, em 1914, pelo padre
José Kentnich.
Monumento ao Imigrante Alemão - O Monumento ao Imigrante Alemão
constitui-se na homenagem prestada pela comunidade santa-cruzense aos
imigrantes que com seu árduo trabalho colonizaram o município. Criado pelo
desenhista santa-cruzense Hildo Paulo Müller, o monumento foi inaugurado em 25
de janeiro de 1969 e nele consta a data da fundação da colônia - 1849 - e o
nome dos primeiros colonizadores.
FONTE:
http://www.hagah.com.br/especial/rs/turismo-rs/19,982,3306866,Colonizacao-alema-cultura-mantem-se-presente-ate-hoje-no-Rio-Grande-do-Sul.html